quinta-feira, 5 de abril de 2018

Onde os ciprestes se juntam (para Amy Winehouse)



(Embora isto não seja cordel, abro aqui uma excessão publicando este poema fúnebre que acabo de compor para homenagear a grande artista que acaba de deixar-nos...)

Onde os ciprestes se juntam (para Amy Winehouse)
(de Guilherme de Faria)



Onde os ciprestes se juntam
e ao vento gelado das cidades do norte
se curvam
onde os corvos revoam crocitando
agourando a vida dos homens
desde sempre
Onde os relógios batem horas em salas tristes
Amy Winehouse ainda vacilante desfila
e ondula seu corpo esguio
maltratado pela auto-mutilação
de suas feias tatuagens
na sua brancura outrora imaculada
tão cedo rejeitada
de volta ao negro
ela voltará sempre
com sua voz negra do melhor do blues
e da alma
Amy voltará sempre
e com ela conviveremos ainda
por muito tempo
por amor à sua doçura invencível
sua expressividade trágica
indisfarçada
e para sempre legada
à nossa própria tragédia de viver.

Amy
quê dizer?
senão que te amamos
e quiséramos abraçar
teu corpo martirizado
e juntar com a mão
sobre teus apliques e desajeitados cabelos
tua linda cabeça ao nosso ombro
como o faríamos a essa girl
que bem sabemos
foste e serás
agora para sempre
de volta ao negro
mas também
a nós...


27/07/2011

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